Nos dias 13 e 14 de maio de 2011, membros da sociedade civil Barcarenense participaram do Encontro Interestadual de Atingidos pela Atividade de Mineração e a Vale que aconteceu no Centro de Formação da Cabanagem, em Marabá.
Cerca de 70 pessoas participaram do evento que teve como principais objetivos promover uma discussão a respeito dos impactos socioambientais gerados pelas atividades de exploração mineral nos estados do Tocantins, Maranhão e Pará, que em sua grande maioria são realizados pela empresa Vale. Bem como, aproximar as pessoas em prol de uma luta comum contra os moldes capitalistas de desenvolvimento, onde o lucro fica sempre sobre controle de uma minoria que domina os meios de produção, enquanto a grande maioria da população, de posse apenas de sua mão de obra, é exploração e posta a margem da sociedade. Outros dos objetivos pretendidos com o encontro fora instigar os participantes a juntos elaborarem estratégias para enfrentamento do avanço desumano do capital.
Dentre as temáticas abordadas no decorrer dos dois dias de evento estiveram: a duplicação dos trilhos, as péssimas condições de trabalho nas carvoarias, os quilômetros de florestas de eucalipto que tentam compensar o desmatamento provocado pelos projetos, o discurso desenvolvimentista que é muito mais uma invenção que uma realidade, assim como os inúmeros prejuízos socioambientais desencadeados pela mineração.
Quanto à atuação do movimento de Barcarena durante o evento, cabe citar que a participação dos seus membros fora bastante proveitosa e rica. Alguns se sentindo mais a vontade fizeram questão de expor suas experiências, questionar alguns pontos a respeito dos assuntos tratados e contribuir, no momento oportuno, sugerindo estratégias de ação.
Para efeito didático o evento foi dividido em três etapas fundamentais. No primeiro momento houve uma espécie de partilha das experiências, onde cada participante fora convidado a dar o seu relato sobre as consequências que tem sofrido por conta da mineração. Em seguida foi priorizada a formação, com a apresentação de uma palestra por um professor universitário, que com desenvoltura proporcionou uma reflexão sobre o tema “Territórios em disputa”. Por fim, no último dia de evento, as pessoas foram dividas em três grandes grupos de onde saíram encaminhamentos de formação, informação e ação a serem desenvolvidas pós-encontro. Após as ideias serem postas em comum entre os grupos os encaminhamentos eleitos foram:
Informação:
Socializar os emails dos participantes do II encontro regional via internet (justiça nos trilhos)
Criação de Banco de dados que seria atualizado constantemente retratando os conflitos e ações dos 3 estados (UFPA)
Pesquisa e potencialização de mecanismos de comunicação utilizados por movimentos organizados (Brasil de fato, jornal sem terra, jornal do Mab etc.) (Reinaldo e Marcio Zonta)
Afirmação do período de luta 16-20 de outubro (CEPASP, MST/MA e justiça nos trilhos)
Reunir durante Romaria da Terra (setembro) para finalizar preparativos da semana de 16-20 de outubro (tirar equipe nesse encontro para planejar essa jornada)
Grupo de teatro, documentários, programas de rádios, sites, blogs, panfletos, vídeos a serem divulgados nas escolas (Pensar a linguagem e estética das produções de forma sedutora) (orientação)
Registro de situações de conflitos, danos pelas próprias comunidades e de situações de resistências que podem ser propagandeadas
Produção de oficina de grafite e pensar a exibição dessa arte em locais centrais (orientação)
Construir instrumentos informativos para a cidade como boletins informativos com a parceria dos universitários (orientação)
Blogs existentes no PA/MA/TO e a articulação política criada no encontro regional passado centralize as informações para divulgação (equipes de organização dos blogs)
Promover a troca de materiais produzidos e organizar um kit para a distribuição nas comunidades (orientação)
Formação
Formação de liderança, de militância de base e da própria base com caráter de formação política e técnica (temas legislação ambiental, responsabilidade social e estrutura de funcionamento da sociedade): utilizar como método a pedagogia do direito (direitos violados como instrumentos da formação) e educação popular (orientação)
Organizar encontros abertos municipais e regionais com as comunidades atingidas (envolver a comunidade para que ela participe da construção dos encontros) (Orientação)
Aproveitar os encontros e formações das próprias entidades e movimentos para discutir temas relacionados ao ciclo da mineração (Encontro Nacional de Estudantes de Agronomia - discutir ciclo mineração) – (orientação)
Formar grupo de estudos exclusivos para estudar os relatórios ambientais (eia/rima etc) e promoção de uma jornada de estudos sobre os relatórios (orientação)
Organização de um acampamento pedagógico com realização de oficinas de grafites (indicativo)
Oferecimento de um curso pela escola Florestan Fernandes sobre mineração (proposta a ser encaminhada à coordenadoria regional do MST)
Ação
Organizar encontro juventude na cidade e no campo PA/MA/TO (CPT, MAB, MST, Mov. Debate e Ação, FEAB - pensar uma data e jornada de luta)
Organizar as denúncias jurídicas e promover reuniões de trabalhos para articular essas denúncias (Encontro em Barcarena sobre direito ambiental Junho)
Ampliar campanha contra saque e exploração dos recursos naturais e minerais (universidade)
Pensar formas de acessar os relatórios e estudo de impactos ambientais (universidade)
Fortalecer as articulações existentes entre os 3 estados com viés anticapitalistas (orientação)
Utilizar dos instrumentos jurídicos para fazer denúncias de violações nas comunidades e socializar os casos já denunciados e com processos em andamento
Organizar assembléias curtas de formação nas comunidades com encaminhamentos de material para as mesmas (orientação)
Fortalecer os processos de resistência contra a Vale nas comunidades trabalhando as formas a autoestima das comunidades e a valorização do patrimônio imaterial (orientação)
Mapear as comunidades e municípios que estão ao longo do corredor de Carajás e que estão sofrendo o processo de duplicação e identificar quais comunidades podemos trabalhar a resistência (justiça nos trilhos, FEAB, CEPASP)
Fortalecer e potencializar as ações de enfrentamento e formação que já estão sendo realizadas pelas entidades (contra o latifúndio, barragens etc.) (orientação)
Agir de forma conjunta (MA, PA, TO) para fortalecer as ações jurídicas contra violações de direitos humanos (orientação)
Relatório da ida de membros da sociedade civil barcarenense ao 2º encontro regional de atingidos por atividades de mineração e a Vale.
Cyntia Bezerra, Ediel Lameira, Joelmir Dos Anjos e Rony Santos.
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