terça-feira, 1 de março de 2011

Representantes da AIN visitam comunidades afetadas por industrias em Barcarena (PA)

Comunitários e representantes da ong norueguesa AIN


Representantes da AIN visitam comunidades afetadas por industrias em Barcarena (PA)  


Nos dias 01 e 02 de fevereiro, representantes da organização Ajuda da Igreja Norueguesa (AIN) estiveram em Barcarena (PA), com o objetivo de cumprir uma agenda de reuniões e visitas às comunidades afetadas por grandes projetos ligados a mineração e a cadeia produtiva do alumínio. Durante a viagem os noruegueses Arne Dale e Trine Hveem foram acompanhados pelos consultores do IEB, Josinaldo Aleixo, Ciro Torres e pela coordenadora de projetos Silvana Macedo.
Ao chegar em Barcarena,cidade distante da capital paraense cerca de uma hora de barco, o grupo foi recebido por lideranças de movimentos sociais, ONGs e sindicatos e se dirigiu a cinco comunidades, onde ouviu o relato de moradores que tem sofrido com problemas relacionados às atividades industriais, iniciados na década de 1980.
Montanha de manganês ameaça moradores da comunidade Dom Manoel.
Um dos locais visitados foi o Bairro de Itupanema – o nome faz referência à praia perto da comunidade. Segundo os moradores, o balneário tem sofrido com a perda de visitantes, causada pela contaminação das águas, que é debitada aos rejeitos industriais da produção do alumínio e ao porto da cidade. Nesse caso, um dos problemas que tem afetado o bairro é o cheiro desagradável de excremento bovino, que chega pelo rio. Os animais são exportados vivos e durante o trajeto deixam um rastro de dejetos que escorrem dos chamados navios “boieiros”.
porto de vila do conde visto da comunidade vila Nova.
Outras duas localidades que chamaram a atenção dos representantes do IEB e AIN foram, Curuperê e Dom Manuel. Na primeira, foi relatado que a pequena agricultura de subsistência e a coleta de frutos na mata, que por décadas mantém as famílias na região, têm perdido produtividade devido à contaminação do solo e a morte de rios e igarapés. Segundo a líder comunitária do Curuperê, Conceição dos Anjos, muitas famílias estão abandonando as casas em busca de outras formas de sobrevivência. Sobre a situação, Conceição ressalta que se tiverem que sair, "que seja com dignidade para construir sua história em outro lugar”.
Na comunidade Dom Manuel, a situação está exposta no quintal de uma das 150 famílias do bairro. No limite da residência onde aconteceu a reunião com os moradores é possível ver o um grande amontoado de minério. Segundo a comunidade o material seria Manganês, o qual faz parte de uma obra executada aos arredores do bairro. Com a chuva e o vento o minério tem se espalhado pelas residências, atingindo, inclusive, os poços de água das casas. O problema foi denunciado ao Ministério Público no final de 2010 e a população aguarda um posicionamento da justiça.
Reunião e a possibilidade do DiálogoNo dia 02, houve reunião com o Comitê de Acompanhamento dos projetos que o IEB desenvolve em conjunto com a sociedade civil local. Um dos objetivos do encontro foi identificar como a AIN pode apoiar as demandas da sociedade no município, por meio do diálogo com a Norsk Hydro. A empresa, de capital norueguês, comprou a participação acionária da Vale e passou a ser a proprietária dos grandes projetos em Barcarena, que incluem a Albrás, Alunorte e a Companhia de Alumina do Pará - esta última ainda em fase de implantação. Para Arne Dale, “O diálogo com a empresa é um processo importante que pode dar certo e pode melhorar a situação em Barcarena”, explica.
Segundo Arne, que esteve no município em 2009, a condição nos bairros parece estar pior, principalmente em relação à contaminação das águas. Contudo, ele pondera que há um aspecto positivo encontrado nessa visita, “As comunidades estão unidas para lutar por uma vida melhor. Essa é uma das maneiras para alcançar as soluções do problema”, concluiu o coordenador do Programa Brasil da AIN. As comunidades de Barcarena estão abertas ao diálogo e esperam que Norsk Hydro evite cometer os mesmos erros de sua antecessora. “Nós queremos discutir com a empresa um modelo de responsabilidade social para o município”, conclui a líder comunitária, Cleide Góes.
Clique aqui para acessar as fotos: http://www.iieb.org.br/site_index.php/galeria/listaFotos/119/galeria

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